Sem diálogo, Prefeito Dani da Elba proíbe passeios de motos aquáticas e deixa cerca de 120 famílias sem renda

Trabalhadores que atuam com motos aquáticas em Maragogi protestaram nesta quinta-feira (15) contra uma ação proibitiva da Prefeitura que paralisou toda a atividade do setor sem diálogo com a categoria. A decisão atinge cerca de 120 famílias que dependem exclusivamente da atividade para sobreviver e que agora estão sem qualquer alternativa de renda.

O protesto interditou a AL-101 Norte, no Litoral Norte de Alagoas, na manhã desta quinta-feira (15). Pneus foram incendiados e o tráfego ficou temporariamente bloqueado como forma de chamar a atenção para o drama vivido por trabalhadores que tiveram sua fonte de sustento interrompida de forma abrupta pela gestão municipal.

Segundo os manifestantes, a Prefeitura de Maragogi adotou uma postura exclusivamente proibitiva, sem abrir diálogo com os trabalhadores e sem apresentar qualquer proposta de regulação da atividade. A categoria afirma que não houve construção coletiva, transição ou planejamento, o que evidencia, segundo eles, a incapacidade do Executivo municipal de lidar com o problema de forma responsável e socialmente justa.

De acordo com duas associações que representam o setor, cerca de 120 proprietários de motos aquáticas foram diretamente afetados. Muitos relatam ter vendido casas, carros e bens pessoais para investir na atividade turística, acreditando que ela continuaria sendo uma fonte legítima de renda no município. Nenhum deles, segundo os trabalhadores, é grande empresário ou detentor de grandes patrimônios, mas pais e mães de família que hoje não conseguem garantir o alimento em casa.

Os profissionais reconhecem que o episódio recente em que quase ocorreu um acidente envolvendo motos aquáticas gerou preocupação na população. Ainda assim, reforçam que o caminho correto seria o fortalecimento da fiscalização, a definição de regras claras e a organização da atividade e não a proibição total, que penaliza apenas os trabalhadores e não resolve o problema estrutural.

Segundo apuração, na quarta-feira (14) houve uma reunião entre representantes do prefeito Dani da Elba, a Polícia Militar e o vereador Uan Luna. Na ocasião, os trabalhadores solicitaram a criação urgente de um programa municipal de regularização da atividade, com critérios de segurança, delimitação de áreas e respeito ao meio ambiente. Mesmo diante do apelo, a prefeitura não apresentou qualquer projeto, nem sinalizou abertura real para negociação.

A ação da gestão municipal se baseia no Decreto nº 057/2021, editado há quatro anos, mas que, segundo os trabalhadores, nunca foi acompanhado de políticas públicas que oferecessem alternativas ou mecanismos de adaptação. Para a categoria, a aplicação rígida da norma, sem diálogo e sem planejamento, transfere para os mais pobres o custo de uma decisão administrativa.

Os manifestantes afirmam que não são contra a ordem, a segurança ou a preservação ambiental. Ao contrário, defendem a regulamentação responsável da atividade, com fiscalização efetiva e participação dos trabalhadores no processo. Para eles, o protesto é um grito de socorro diante da omissão do poder público e da ameaça concreta à sobrevivência de dezenas de famílias maragogienses.


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